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A Última Entrevista de Monteiro Lobato

O radialista Murilo Antunes Alves entrevistou Monteiro Lobato dois dias antes da morte do criador do Sítio do Picapau Amarelo. Uma das perguntas seria profética.

Máscara mortuária de Monteiro Lobato. Créditos: Revista Fundamentos.
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2 de julho de 1948. O radialista Murilo Antunes Alves está impaciente. Teve a ideia de entrevistar Monteiro Lobato, mas sabe que o escritor é totalmente avesso a entrevistas.

Liga para Lobato que parece muito cansado. O radialista insiste no encontro. Murilo chega à Livraria Brasiliense (onde o escritor fazia ponto às tardes) com seu técnico de som e munido de um gigantesco gravador.

Lobato refuga: entrevista, não.

Mas, o destino está a favor de Murilo. Dona Purezinha, esposa de Lobato, descera naquele instante da cobertura do prédio (onde a família morava desde seu retorno da Argentina) para avisar que o fogão elétrico estava com defeito.

Murilo vê uma oportunidade e faz a proposta: seu técnico consertaria o fogão e Lobato daria a entrevista. O escritor aceita o pacto.

Poucos minutos depois, o fogão está pronto para ser usado e Lobato concede a entrevista que seria histórica. Apenas 2 dias depois, o criador do Sítio do Picapau Amarelo estaria morto.

A última pergunta de Murilo seria profética: “Lobato, se lhe fosse dado viver de novo sua vida, gostaria de tê-la vivido como viveu?” Em resposta, Lobato fala com muito carinho de sua literatura infantil:

“Eu acho que queria isso: viver de novo a minha vida, a vida que eu vivi, escrevendo coisas de mais interesse para as crianças… Eu perdi tempo escrevendo coisas para gente grande, que é uma coisa que não vale à pena”.